Porta Aberta – Um lindo poema de amor – Por Clara Dawn

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“Minha porta está fechada. Sim, deveras. Mas se observar bem. Se observar muitíssimo bem, verá que não está trancada e ainda que um toc toc não seja o suficiente para fazê-la se abrir – deixe – no alpendre – flores e poesias como se a brisa de outono fossem – E depois desapareça. Volte na manhã seguinte e dessa vez deixe sementes, aquelas de azules flores de mostarda, não esqueça de levar mais versos, agora com música – Bach – Chopin – Beethoven – tanto faz – e depois desapareça. Volte no terceiro dia trazendo mais sementes: sibipirunas, jacarandás e ipês, poesias, músicas, circo… e depois desapareça. Nos dias que se seguirem – desapareça – Desapareça para que eu plante as sementes, para que eu leia as poesias e ouça as músicas. Para que eu deseje a alegria do circo. E só depois de desaparecer – assim como desaparecem as andorinhas – volte – e a porta estará aberta”. Clara Dawn