A gente tem essa mania de passar parte do nosso tempo, só pensando no tempo que passou e que não aproveitamos como deveríamos. O tempo é o móvel mais veloz do mundo, quando não contamos os passos. Se a vez chega, o tempo corre. Se a vez não chega ainda assim o tempo corre, pois não se pode esperar outra vez se aproximar. Por isso, por ser escasso, o tempo é a coisa mais importante e cara que se pode oferecer a si mesmo e ao outros.  Entretanto, num repente, por causa da pandemia de Covid19 que nos obrigou ao viver em ostracismo social, temos pensado no que fazer com o nosso excesso de tempo.
Eu preparei 5 sugestões que lhe ajudará a passar pela quarentena com saúde física, mental e emocional. Confira:

1 – Se colocar a Serviço do Servir

Quantas vezes dizemos que não temos tempo para fazer um trabalho voluntário, como se voluntariado fosse um hobby e não um voluntariado, ou seja, aquilo você faz apesar de não ter tempo para fazer. Porque solidariedade não é doar o que está sobrando, é doar aquilo que também lhe faz falta. Assim, se você doar parte do seu tempo a alguém, mostrará para essa pessoa que está dando a ela a coisa mais preciosa que existe. Mesmo em ostracismo social é possível ‘criar’ inúmeras formas de se colocar a serviço do servir. Servir é a força toda poderosa que move o mundo e o transforma num mundo melhor. Porque não basta compreender o mundo, é preciso mudá-lo. Mudar o mundo, uma pessoa por vez. Dessa forma, busque um meio – dentro de suas habilidades – de ajudar pessoas. Com isso, você descobrirá que ao se desprender de suas próprias dores para aliviar a dor do outro, você não descobriu a cura para todas as dores, mas foi capaz de se transportar e transportar o outro para um lugar onde não há dores.
 

2 – Dar atenção aos filhos

Dar atenção aos filhos, ouvi-los; brincar com eles e ouvi-los; conversar amorosamente sobre temas polêmicos e ouvi-los. Ouvi-los sem preconceito, sem julgá-los, sem condená-los. Na hora de ouvir, só a pedagogia do amor funciona. Se não crê, invista na ignorância. Assim, fale e ouça a opinião deles acerca de drogadição, sexualidade na adolescência, abuso sexual, bullying, automutilação, saúde mental, ideação suicida, racismo, machismo, homofobia, xenofobia. (E tudo bem pedir ajuda qualificada para falar desses temas com os filhos de acordo com cada idade. E idade de se começar a falar com os filhos sobre as dores de existir é desde o ventre, para que desde sempre aprendam a lidar com as frustrações, o tédio, o medo, a verdade, as injustiças, a violência, os abusos, etc).

3 – Fazer reeducação alimentar

Eu tenho a minha própria técnica de reeducação alimentar e ela funciona muito bem. São três regras simples: A – eliminar totalmente o açúcar (isso incluí o consumo de refrigerantes, massas, arroz e farinhas brancas); B – encher uma garrafa com 2 litros e ter como meta deixá-la vazia até às 18h; C – deixar os talheres descansando no prato enquanto mastiga e mastigar os alimentos até sentir uma pasta homogênea dentro da boca, o ideal é que se você gaste no mínimo 15 minutos para terminar a refeição que colocou no prato; D – Substituir em 70% o sal por ervas e temperos; E – tomar em jejum diariamente uma xícara de chá de suco de limão diluído na água, uma xícara de chá de gengibre e depois comer frutas variadas. Comer, não fazer suco. Porque quando você liquidifica as frutas elas perdem as fibras e o que resta é apenas a frutose, ou seja, açúcar.

4 – Dedicar tempo às saúdes física, mental e emocional

Não há saúde física sem saúde mental. Com quase 12 milhões (6%) da população brasileira com depressão, a doença já é considerada a mais incapacitante e o suicídio, considerado uma epidemia entre os adolescentes e os idosos. A saúde mental precisa estar no topo das prioridades, desde à infância até a velhice. O corpo não é outra coisa senão a caixa de ressonância de nossas emoções não verbalizadas, não compreendidas, não ressignificadas.
Indico três passos para ter boas saúdes mental, física e emocional: exaustão física (exercícios), água e alimentação rica em vitaminas do complexo B e aminoácido triptofano: Muitos vegetais, como espinafre, brócolis, nabos, cenoura e beterraba são ricos em vitaminas B. A única exceção é o B-12, que só pode ser encontrado em produtos de origem animal, como peixe, carne, leite e ovos.
O triptofano é um aminoácido que ao ser ingerido pode seguir 2 vias: ficar na corrente sanguínea ou ser levado para o Sistema Nervoso Central onde será convertido em serotonina (o hormônio da felicidade). Os alimentos fontes de triptofano são: peixes, peru, ovos, nozes, castanhas, leguminosas (feijão azuki, lentilha, soja), semente de abóbora, levedo de cerveja, linhaça, aveia, arroz integral, chocolate amargo e queijo tofu.

5 – Estudar

Podemos aproveitar o acrisolamento social para aprendermos coisas novas. Tanto para a formação continuada de nossas profissões, como um novo idioma, ou apenas por curiosidade e entreunimento mesmo. Começar finalmente a ler os livros e/ou os artigos daquela lista que separamos todo inicio de ano e quando o ano termina não chegamos nem na metade, exatamente, porque não tivemos tempo. Estudar é para mente o que o exercício físico é para corpo: vida saudável. Se você, todos os dias, empregar tempo em estudar, pensar e planejar, poderá descobrir, talvez, coisas que poderão mudar todo o curso do seu destino. A finalidade da conhecimento não é abrir a porta ao saber
infinito, mas, colocar limite à infinitude da ignorância.

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Clara Dawn
Escritora, psicanalista, especialista em "Prevenção aos transtornos mentais e ao suicídio na adolescência" e autora de 7 livros publicados.