Escritora Clara Dawn

"Você deve ser a primeira em Goiás a escrever uma crônica com a natureza poética da crônica: liguagem e metaliguagem" - Gilberto Mendonça Teles

Clara Dawn - Alethéia

Autora do romance Alethéia, considerado pelos escritores Edival Lourenço e Valdivino Braz, como a revelação de um novo estilo na literatura goiana.

Clara Dawn aos olhos de Reynaldo Jardim:

" A jovialidade adulta de seu texto criativo revela uma escritora que causaria inveja a Clarice Lispector..." Reynaldo Jardim

Clara Dawn Escritora

“Não se gosta do que Clara escreve apenas por afinidades ou belos escritos. Há uma lógica inserida na beleza e Clara consegue nos passar isto de uma maneira indolor e - que coisa?! - prazerosa.” Odilon Carlos

Palavras de Clara Dawn:

"Mas, o que é a vida senão polinômios que temos de resolver diáriamente: eu, posso até acertar o desenvolvimento, mas na maioria das vezes, erro o resultado..." Clara Dawn

BEM VINDO! ESTE SITE É ALIMENTADO PELO CLUBE DE FÃS DA ESCRITORA CLARA DAWN e reconhecido por ela como oficial. Visite também o blog, onde vários fãs espalhados pelo mundo, declaram sua simpatia por Clara Dawn
http://claradawnfaclube.blogspot.com

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Felizes 20 anos para sempre, meu filho - A hora 18

Arthur Miranda no Lago Paranoá - DF - Aquarela de Ederson Amorim.

Em memória de Arthur Miranda
26/06/1993 – 17/08/2013

Tia Bárbara tinha o hábito de nos obrigar a ficar de joelhos em frente à TV todos os dias, durante a apresentação da Hora do Ângelus. Enquanto José Divino, com sua voz afável, narrava tão belas palavras de Jávier Godinho, a gente pensava mesmo era nos tacos de “Bete” que tinham ficado jogados na rua à espera do próximo lance. Da tia Bárbara, além de seu jeito corcunda de caminhar, recordo somente isso.

Mas da Hora do Ângelus jamais me esquecerei... É que outra tarde, quando o sol se despedia dos pássaros, eu estava deitada na rede no meu Vale das Quimeras... fechei os olhos para ouvir o chiado bonito daquela despedida inevitável, e o José Divino – que beleza! –, no radinho de pilha do caseiro, louvava a Deus com ternura. Alguns minutos foram suficientes para que eu caísse no sono. Sonhei com o meu filho Arthur, ainda pequeno.

Tinha no olhar as travessuras saltitantes e chamou-me – Vem!? – e eu, num salto da rede, fui brincar com ele. Jogamos bola sobre a grama macia e nela caíamos de propósito só para inventar gols espetaculares. Como se mágica fosse, estávamos em outro lugar: a água de um riachinho escorria debaixo de nossos pés e, quando olhei para ele, oh, céus!, como estava lindo, vestido com aquele sorriso debochado e seu olhar dotado de sofisma pueril. Disse-me: Vem!? – e eu fui correr com ele naquelas águas rasas e obedientes.

Não havia pausa para lavar o rosto e tampouco provar da água – ele tinha pressa. Chamava – Vem!? – e eu não titubeava um segundo, seguia-o sem questionamentos para não perder a bondade de sua presença. Num repente, vi o meu reflexo na água e eu estava senil e frouxa. Uns 80 anos despencaram em minha face e quase chorei ... Quase. Não fosse a euforia dele – Vem, vem, vem...!?
Eu não tinha tempo para chorar, então esqueci a velhice e fui com ele, agora sobre gramíneas risonhas, com suas flores diminutas em formato de brancas estrelas. Borboletas multicoloridas voejavam sobre nossas cabeças e eu me sentia tão viva, ali ao lado dele, como se fôssemos duas crianças descobrindo as belezas da Terra.

Em outro lugar, ele então usava aquela sua camiseta azul celeste e aparentava uns 20 anos. Bonito, bonito, bonito... Com seus cabelos lisos caídos sobre a sobrancelha semicerrada: moldura perfeita para guarnecer radiante sorriso.  Chamou-me mais uma vez – Vem!? – e eu – sem delongas – saltei para os seus braços e beijei sua face morna. Ele acariciou os meus cabelos e perguntou-me se eu estava cansada. Num sorriso choroso, disse-lhe que jamais ficaria cansada ao seu lado.

Segurou a minha mão e disse: Vamos. Fomos correr, correr, correr... Corríamos e ríamos de nós mesmos quando nos faltava o fôlego. Ele, tal qual pássaro livre, vivenciava a ternura da vida sem quaisquer lembranças de seu tormento na terra. Nenhuma voz inumana perturbava sua mente e tampouco as terríveis dores de cabeça. Liberto, sorria. E quão glorioso era para mim vê-lo assim, liberto das correntes da loucura.  Liberto, meu Deus, liberto!

Depois, e enfim lânguidos, deitamos no chão para apreciarmos o pôr-do-sol. Era possível ouvir ao longe seriemas com seus gritos estridentes por causa de nossa presença.

Eu estava feliz. Uma felicidade que a mente o coração humano não sabem suportar. Por isso, chorei. Chorei, chorei, chorei... e, quanto mais chorava, mais vontade eu tinha de chorar e de sorrir para ele, que me olhava com ternura... E foi assim que um suave sorriso escapuliu do canto de sua boca e ele segurou a minha mão e disse-me: Mãe, não chora! A espera terminou. Vem comigo!  

 Olhei para minha mão, que segurava a dele, e achei-a velha demais. Preocupação tola para alguém que experimentava a benevolência de ouvir tão esperado chamado. Então, com aquele sorriso que a boca humana não sabe conter, eu lhe estendi a outra mão para que ele me ajudasse a levantar... E foi no instante em que ele arrebatava o meu corpo que eu acordei.

Maldita hora 18, que sepultou o meu filho num domingo chuvoso de um agosto eterno.

Clara Dawn

(Inspirado em O guardador de rebanhos – VII, de Fernando Pessoa)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

CLIPPING – LANÇAMENTO DO LIVRO “O CORTADOR DE HÓSTIAS”

O Popular- Programe-se - 25/05/2015


Diário da Manhã - Roteiro -  25/05/2015


Romance

A escritora goiana Clara Dawn lança o sétimo livro e o terceiro romance da carreira, O Cortador de Hóstias, pelo selo Livres Pensadores, às 19h30 na Casa Altamiro (Av. Araguaia, nº 240, Esq. com a Rua 15, Centro). A obra será vendida no local pelo valor de R$ 35. A entrada é franca. Mais informações: 3945-4744.







O Popular - Magazine - 27/05/2015


Clara Dawn lança “O Cortador de Hóstias”

Hoje, às 19h30, na Casa Altamiro, no Centro, a escritora Clara Dawn vai lançar seu mais no livro, O Cortador de Hóstias, que sai pela Editora Livres Pensadores. Essa é a sétima obra da autora, que é psicopedagoga e atualmente atua como produtora de conteúdo da revista Raízes e diretora-executiva da editora.
A trama de O Cortador de Hóstias é ambientada na Pirenópolis de 1918, com uma história contada por três narradores-personagens e um narrador-observador. Divide-se em quatro partes: a primeira se desenrola segundo a visão da protagonista, a vingativa Flor Maria, possuída pelo ódio por causa dos abusos sexuais sofridos na infância. Ela elabora um plano para matar o seu algoz. A segunda parte traz Venceslau, que escreve cartas, jamais enviadas, para sua amada morta.
Já a terceira é a narrativa do observador, aquele que julga os atos dos personagens segundo a influência que cada um deles sofre. Para o narrador-observador, coisa alguma é o que parece ser. Por fim, a quarta parte é descolada das narrativas e fala sobre o suposto cortador de hóstias que, em um diálogo invisível com um delegado, tenta justificar seu estranho hábito de bolinar garotinhas.
Evento: Lançamento do livro O Cortador de Hóstias, de Clara Dawn
Data: Hoje, às 19h30
Local: Casa Altamiro – Av. Araguaia, nº 240, esquina com Rua 15, Centro
Preço do livro: R$ 35



Diário da Manhã – 27/05/2015


Uma “Santa Dica às avessas”

É assim que Clara Dawn descreve Flor Maria, personagem central de seu novo livro O Cortador de Hóstias. A obra será lançada hoje, na Casa Altamiro


                            Rariana Pinheiro,Da editoria DMRevista

Hoje, às 19h30 na Casa Altamiro, a escritora Clara Dawn irá lançar seu sétimo livro – e terceiro romance –, O Cortador de Hóstias (Ed. Livres Pensadores). Se contrastando a suas duas últimas publicações, destinadas ao público infantil, e da alma leve da autora, que, segundo suas próprias palavras: “desconhece a capacidade de odiar a vida, o mundo e suas gentes”, ela embarca em uma viagem sorumbática, onde há espaço até para um pedófilo infanticida. Em, O Cortador de Hóstias, o leitor é transportado para Pirenópolis de 1918, onde as belezas arquitetônicas e naturais da cidade servem de cenários para as angústias da protagonista Flor Maria. A personagem é intensamente ferida por abusos que sofreu na infância, portanto, sua meta é nítida, desde o começo da trama: matar seu algoz. Com presteza e sensibilidade, Clara conduz ao leitor à trama densa, usando três narradores-personagens, em um quebra cabeça interessante de visões. Sobre a nova obra, inspirações, e influências, conversamos com Clara Dawn, que no bate-papo também parece abrir também a mão da parente doçura, para reclamar de mais espaço para a cultura em Goiás. (Leia a entrevista na íntegra aqui...)





Entrevista com Clara Dawn - Por Rariana Pinheiro ( Na íntegra)





Entrevista com Clara Dawn - Por Rariana Pinheiro ( Na íntegra)



Hoje, às 19h30 na Casa Altamiro, a escritora Clara Dawn irá lançar seu sétimo livro – e terceiro romance –, O Cortador de Hóstias (Ed. Livres Pensadores). Se contrastando a suas duas últimas publicações, destinadas ao público infantil, e da alma leve da autora, que, segundo suas próprias palavras: “desconhece a capacidade de odiar a vida, o mundo e suas gentes”, ela embarca em uma viagem sorumbática, onde há espaço até para um pedófilo infanticida. Em, O Cortador de Hóstias, o leitor é transportado para Pirenópolis de 1918, onde as belezas arquitetônicas e naturais da cidade servem de cenários para as angústias da protagonista Flor Maria. A personagem é intensamente ferida por abusos que sofreu na infância, portanto, sua meta é nítida, desde o começo da trama: matar seu algoz. Com presteza e sensibilidade, Clara conduz ao leitor à trama densa, usando três narradores-personagens, em um quebra cabeça interessante de visões. Sobre a nova obra, inspirações, e influências, conversamos com Clara Dawn, que no bate-papo também parece abrir também a mão da parente doçura, para reclamar de mais espaço para a cultura em Goiás.

1- Como nasceu a história de O Cortador de Hóstias?  Por que escolheu  falar, por exemplo, da Pirenópolis de  1918? 

Clara Dawn: Nasceu em meados de 2010 e não se chamava O Cortador de Hóstias, o nome era O Vale das Quimeras, estava ambientado em Ouro Preto – Minas Gerais e no ano de 1975.  Era pra ser um livro com três contos longos, aparentemente distintos, mas que traziam a lume a mesma história. Um era narrado por uma mulher; outro por um homem e terceiro era o narrador observador. Se o leitor decidisse ler só um dos contos teria apenas a visão de dos narradores e assim passaria a julgar a história a partir daquele prisma. Mas se ele atentasse aos outros dois poderia compreender as vertentes por mais de um conceito. Ambos contavam a história de uma suposta sucuri, no Vale das Quimeras, que em noites sem lua arrastava crianças para o fundo do rio, mas não antes do abuso sexual. Esse formato e título já estavam bem definidos em minha mente. Até que, em 2012, numa conversa com o amigo Antônio da Mata, ele me mostrou a máquina de cortar hóstias. Quanto mais ele falava da máquina, mais eu me apaixonava por ela, com seu círculo em navalha que cortava os disquinhos de farinha de trigo e os depositavam numa gaveta sombria. Pronto! Fiquei louca pela ideia de dar voz ao meu assassino de crianças. E assim nasceu O Cortador de Hóstias, com sua voz sibilante no afã de justificar seus males. Depois disso a coisa foi tomando novos rumos e eu precisava de respaldo para compor meu personagem e o respaldo sempre, sempre... vem da poesia. É dela que busco as imagens para construir minha narrativa. É ela que acende em mim a vontade de escrever com toda a angústia que a escrita necessita. Então achei, por acaso, os versos de Érico Curado e Hugo de Carvalho Ramos e eu não acreditava no presente que o destino me dera: aqueles versos datados entre 1913 a 1917 fizeram-me levitar e, quando percebi, eu estava em Pirenópolis em 1918, divagando entre as lendas da história da cidade e principalmente sobre o mito da Santa Dica. Decidi mudar toda a ambiência e data, mas foi aí que entrei em desespero, pois em 1918 ainda não existia a máquina de cortar hóstias. Fiquei triste, eu amava a máquina, mas louvava Érico e Hugo: Ouro Preto 1975 ou Pirenópolis 1918? Venceu Pirenópolis e aí começou a labuta das pesquisas históricas e a desconstrução do Vale das Quimeras. Bem, a máquina de cortar hóstias precisou se contentar em ser uma tesoura.     


2- Seus dois últimos livros foram dedicados ao público infantil. Como foi a transição do lúdico  para esse clima tenso, misterioso e tão adulto de O Cortador de Hóstias? 

Clara Dawn: Meus dois livros de literatura para criança foram desafios de editores. Mesmo tendo formação em psicopedagogia eu nunca pensei em escrever para criança. Tenho muita facilidade em fazê-lo. Escrever para criança, para mim, é como, para Mozart, tocar seu piano. Está em mim, minha alma desconhece a capacidade de odiar a vida, o mundo e suas gentes: coisa de criança. Pediram-me para escrever e no outro dia estava pronto. Simples e alegre como fazer bolhas de sabão. Se de repente alguém me pedir para escrever para criança escreverei, mas o que me toca, o que me assassina e depois ressuscita é essa narrativa densa e ao mesmo tempo leve. Esse vai ao céu e despenca rumo ao inferno: essa coisa terrivelmente humana que nos diz quem somos. Sendo assim, não houve transição: a literatura para criança é o que eu gostaria de ser quando crescer, mas o romance é o que eu sou desde que eu nasci.




3 - Por que Flor Maria é considerada uma "Santa Dica as avessas". E como foi sua criação?  Se baseou em alguma história real?

Clara Dawn: Eu me inspirei em Santa Dica para que Flor Maria crescesse no decorrer da trama, e quem conhece a história da santa verá em Flor suas características marcantes. Também foi um presente do destino, pois Flor Maria nascera em minha mente antes mesmo de eu conhecer o mito da Benedita de Lagolândia. Elas são tão parecidas em força de caráter que a comparação foi inevitável. Mas, ao contrário de Santa Dica, Flor não é religiosa, antes possui um coração insensível às coisas sagradas por considerar que a religião extrai das pessoas o direito de pensar por si. “A ignorância é um privilégio” – diz a Flor, enquanto fala da crendice de que uma sucuri e não um homem é quem devora as crianças. Por isso ela odeia o lugar onde nasceu e seus habitantes crédulos e acomodados. Sua sina é matar o cortador de hóstias, nem que para isso tenha que incendiar a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. (Bem, essa igreja foi incendiada de verdade, mas adianto que não foi Flor Maria, rsrs).



4- Como a experiência de Clara Dawn psicopedagoga influencia na de Clara Dawn escritora?

Clara Dawn: A psicopedagogia é linda. Eu amo ser psicopedagoga, pois ela não me influencia apenas na literatura, mas me preparou para a vida, para compreender os meus iguais e saber conviver com os meus personagens. O comportamento psicossocial de cada personagem meu é construído mediante a observação psicopedagógica que faço enquanto converso com pessoas, assisto a filmes, leio poesias e ouço músicas. A psicopegogia foi o melhor presente que eu poderia dar à Clara Dawn escritora. 



5-Você já está em seu sétimo livro. Como escritora, atua ainda no Diário da Manhã e na Revista Raízes. A vida de quem quer "viver para as letras" em Goiás é fácil?

Clara Dawn: Você fez uma pergunta um tanto retórica. Sabemos que não é fácil. Na verdade é impossível “viver” da arte, não apenas em Goiás, mas no Brasil como um todo, e a gente vê em filmes e outras meios de comunicação que não é fácil em lugar nenhum do mundo. Esse “viver” assim entre aspas é impossível mesmo: as Leis de Incentivo nos dão o mar e até as varas para pescar, mas os peixes ficam encalhados porque não há quem os venda. Eu não sei como a coisa toda funciona em outros estados, por isso não posso generalizar, mas posso falar de Goiás e tenho orgulho e vergonha: orgulho porque é terra de Hugo de Carvalho Ramos, Rosarita Fleury, Érico Curado, Marieta Teles, Cora, Yeda (e oh, céus, quantos mais contemporâneos vencedores de Jabutis e outros prêmios nacionais e internacionais)... Contudo, quando assisto à Rede Minas e à Rede Ceará, patrocinadas por seus governos e por inúmeras empresas, emissoras que passam 24 horas de programações espetaculares voltadas à educação e a cultura, onde até os telejornais são educativos; quando vejo isso, tenho vergonha de pertencer a um estado onde a cultura é vista como desnecessária. Onde programas como Frutos da Terra e Raízes Jornalismo Cultural são espoliados por uma cultura descartável e desprovida de valores artísticos e socioeducacionais.  Esta, certamente, não foi terra que  Pedro Ludovico sonhou para nós outros. “Viver”, assim, entre aspas, da arte é impossível, mas é a arte, sem aspas, que nos faz viver.  

segunda-feira, 25 de maio de 2015

O Cortador de Hóstias - Romance de Clara Dawn

A Editora Livres Pensadores, a Academia Goiana de Letras, a Editora Kelps e a Contato Comunicação convidam para o lançamento do romance “O Cortador de Hóstias”, da escritora Clara Dawn. Dia 27/05/2015 – às 19h:30min na Casa Altamiro – Avenida Araguaia, nº 240 – Esquina com a Rua 15 – Centro – Goiânia.


“O Cortador de Hóstias” é o sétimo livro da escritora Clara Dawn*, sendo o terceiro na categoria romance.

É ambientado em Pirenópolis, Goiás, em 1918, e a história é contada por três narradores-personagens e um narrador-observador.

A trama se divide em quatro partes: a primeira se desenrola segundo a visão da protagonista, a vingativa Flor Maria, possuída pelo ódio por causa dos abusos sexuais sofridos na infância. Ela elabora um plano para matar o seu algoz.

A segunda parte é epistolar, na qual o personagem Venceslau escreve cartas, jamais enviadas, para sua amada morta. O “reverendo Vence” é seguido por um grande séquito que o adora e é por ele adorado, mas até mesmo no paraíso há serpentes. 

A terceira é a narrativa do observador, aquele que julga os atos dos personagens segundo a influência que cada um deles sofre. É possível que o narrador-observador possa também se emocionar e se injuriar, precipitar-se e até mesmo enlouquecer diante das premissas dadas, perdendo-se, assim como os personagens, entre realidade e divagações. Para o narrador-observador, coisa alguma é o que parece ser.

A quarta parte é descolada das narrativas: o suposto cortador de hóstias, num diálogo invisível com um delegado, tenta justificar seu estranho hábito de bolinar garotinhas. 

Trata-se de um romance envolvente repleto de mistérios, suspense e até momentos que vão do hilário ao desconfortável em mais de um sentido.  Reflete a influência do sincretismo religioso vigente na época e das lendas da história de Pirenópolis. A personagem principal é uma espécie de Santa Dica às avessas. Em todo o processo narrativo, é possível encontrar traços da Prima Bete de Honoré de Balzac. Até mesmo os nomes da maioria dos personagens são tributos ao escritor francês, como o cavalo Melmote Apaziguado, o mendigo Onagro e a cafetina Valéria Marnefe.


O Cortador de Hóstias – Clara Dawn
Categoria: romance
Edição de luxo: capa dura – 156 páginas
Preço: R$ 35,00
Lançamento
Dia: 27/05/2015
Hora: 19:30
Local: Casa Altamiro – Avenida Araguaia – nº 240 – Esquina com a Rua 15 - Centro – Goiânia – Goiás.  

*Clara Dawn é romancista. 

Obras:

1.    Uma vida vitoriosa – Ensaios – Polieditora, 2000
2.    O Imortal – Romance – Grafopel, 2002
3.    Alétheia – Romance – Kelps, 2008
4.    Sofia Búlgara e o Tabuleiro da Morte – Crônicas – Kelps, 2010
5.    Castelo de Bolso – Infantil – Versão bilíngue – Fdigital – Reino Unido, 2011
6.    Artur, O Grande Urso – Infantil – Versão bilíngue – Kelps, 2012
7.    O Cortador de Hóstias – Romance – Editora Livres Pensadores, 2015