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Às vezes o navio chega e embarcamos nele. Mas, embora exista um destino preestabelecido, estatisticamente falando, não se pode garantir que chegaremos, permaneceremos ou regressaremos da viagem.
Às vezes não embarcamos no navio, mas ele fica atracado dentro de nós. E passamos o resto da vida imaginando que rumo a nossa história tomaria se tivéssemos embarcado nele, naquele dia, naquela hora, naquela oportunidade.
O que, muitas vezes, também pode acontecer é não embarcarmos no navio, nem ele se instalar dentro da gente. Mas somos, de maneira peremptória, arrastados por uma onda que surge num repente, oriunda não sei de onde, por um vendaval arbitrário. E assim, uma vez dentro daquele contexto, somos conduzidos pelas circunstâncias, rumo ao que der e vier.
Desse modo, não vivenciamos a viagem dos sonhos. Vivenciamos a realidade das ações e reações. Não faço ideia da razão de ter embarcado nessa vã filosofia. Deve ser porque, “neste” momento, enquanto cá escrevo e em mim reflito, meu diminuto barco emocional é açoitado…
Ou seria “nesse” momento? Porque, embora não pareça, há muita diferença. Neste ou nesse, exatamente agora ou por um determinado tempo… A verdade é que estaremos sempre à mercê de um navio, desejando que ele nos leve ao desconhecido e ansiando que o “destino” nos livre das constantes confusões mentais que experimentamos todas as vezes que perdemos a direção.
Mas qual é a melhor opção? Embarcar no navio ou deixá-lo passar? E será que ele passará ou permanecerá atracado dentro de nós? Pelo sim ou pelo não, o navio, assim como o tempo, é um móvel. Se sua vez chega, ele passa. Se a vez não chega, ele também passa, pois não pode esperar outra vez se aproximar.
O navio jamais ficará parado no tempo enquanto dobramos e desdobramos o nosso intrínseco bilhete de passagem. E, já que o meu barco, neste momento, está à deriva, eu não traçarei destino algum. Porque é na deriva que encontro o meu melhor movimento. E, enquanto eu me movimentar, estarei salva.
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