Não se preocupe com quem a criança será no futuro, se preocupe em como ela se sente hoje. =Você saberia dizer exatamente como o seu filho está se sentindo emocionalmente hoje?

Às vezes é difícil equilibrar o que é melhor para as crianças com o que as faz felizes – mas os dois não precisam ser mutuamente exclusivos. Crianças mais felizes têm maior probabilidade de se tornarem adultos bem-sucedidos e realizados.

A felicidade é uma virtude em um mundo que enfatiza a competição. Em média, pessoas felizes têm mais sucesso do que pessoas infelizes, tanto no trabalho quanto no amor. Eles obtêm melhores avaliações de desempenho, têm empregos de maior prestígio e ganham salários mais altos. É mais provável que se envolvam em relacionamentos afetivos duradouros e equilibrados.

O maior estudo de imagem cerebral de crianças já realizado nos Estados Unidos revelou diferenças estruturais no cérebro daqueles cujos pais têm depressão. De fato, a depressão dos pais parece causar problemas comportamentais e psicossociais nos filhos, bem como torna a relação pais e filhos mais conflituosa e sofrida.

Embora o estudo tenha descoberto que pais felizes são estatisticamente mais propensos a ter filhos felizes, não significa que quem tem depressão, tenha que se sentir inapto para ter filhos, ou que não possa ter filhos saudáveis e felizes. Mesmo porque a depressão, seja recorrente, grave ou moderada, tem tratamento e cura.

Não educamos nossos filhos para serem felizes. Educamos para a competição e competir é o princípio das guerras integrais. Se ao invés de crianças competitivas,  ensinássemos cooperação, empatia e altruísmo, estaríamos educando crianças inteligentes emocionalmente, para que possam envelhecer em mundo mais solícito, onde as diferenças convivem em harmonia e felicidade consciente.

A sugestão para ter filhos felizes é simples: crie-os para serem felizes e não para serem os melhores; crie-os para cooperação e não para competição. É dentro de casa que a criança se reconhece como cidadão do mundo, forma seu caráter e seus ideias. É dentro de casa que uma criança se encontra. Assim como é dentro de casa que uma criança se perde e é desse ser perdido que emerge um adulto infeliz.

Texto da escritora, psicopedagoga, psicanalista e pesquisadora Clara Dawn

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Clara Dawn
Escritora, psicanalista, especialista em "Prevenção aos transtornos mentais e ao suicídio na adolescência" e autora de 7 livros publicados.