De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país nas Américas com maior número de pessoas depressivas, cerca de 6% da população.  É também o país com maior prevalência de ansiedade, no mundo todo. Cerca de 9,3% da população diagnosticada com o transtorno.

Além dos reais casos de transtornos mentais, a pandemia tem corroborado para o agravamento de nossa saúde integral: o isolamento social e ao mesmo tempo o convívio constante com familiares, tantas vezes tóxicos, o possível convívio com a violência doméstica e abusadores, a queda dramática na renda e pior de tudo, a desesperança.  Mas a primeira coisa que devemos nos atentar é que a pandemia não durará para sempre, é uma fase grande e ruim, mas ela passará. Devemos cuidar de nossa saúde para que possamos passar por essa crise, da melhor maneira possível.

Com 6% dos brasileiros com depressão, suicídio já é considerado uma epidemia

Todas as pessoas que têm depressão cometem suicídio? Não. Mas todas as pessoas que cometeram suicídio apresentaram algum quadro de enfermidades mentais. A saúde mental precisa urgentemente ser reconhecida como umas das prioridades nas políticas públicas.

Geralmente os ‘gatilhos’ da depressão são: genética, abusos tanto físicos, como psicológicos e/ou sexuais; efeitos colaterais de alguns medicamentos; luto: seja por morte de um ente querido, ou por uma separação; lgbtfobia, doenças graves ou abuso de drogas e álcool.

É importante ressaltar que os transtornos mentais concomitantes com o uso de substâncias psicotrópicas (álcool e drogas) torna o suicídio, um risco iminente (crescente).

Dentre sintomas recorrente da depressão, e aqui eu enfatizo a palavra “recorrente”, estão:

  • insônia ou dorme demais;
  • a pessoa não tem apetite nem mesmo para as coisas que mais gosta de comer
  • sofrimento psíquico intenso do qual ela não sabe a origem;
  • sensação de que o coração está sendo esmagado ou está inflado constantemente;
  • vontade de chorar a qualquer momento, como se coisa alguma fizesse sentido para ela
  • desânimo inexplicável até para suas atividades recreativas favoritas: o corpo, a mente e o coração são todos cansaço, por mais estimulo que a pessoa receba, ela permanece;
  • se isola e pode praticar a automutilação: se corta, se queima… A automutilação é um ensaio para o suicídio.

Diferença entre ansiedade normal e anormal

Sobre a ansiedade: De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, em 16 países, o Brasil é o que mais tem pessoas que sofrem com ansiedade por causa da pandemia (41%). A primeira coisa que devemos investigar, é de onde vem a ansiedade e se ela é normal ou anormal.

A ansiedade normal é aquela sensação que ocorre com um motivo evidente: a vida cotidiana, especialmente nesses tempos de Síndrome do Pensamento Acerelado, onde o meio em si, a a rotina em si, o trabalho, a convivência com o outro, ou um problema inesperado acontece.

A ansiedade anormal é multifacetada e traz consigo desconfortos tão particulares que só mesmo quem o sente pode dizer o quanto são ruins. A ansiedade patológica parece imotivada: ocorre sem nenhum estímulo aparente, entretanto é mais fácil descrever os sintomas, pois estes, que surgem de um sofrimento psíquico, se apresentam na saúde física, provocando: sensação de aperto no peito; suor excessivo; tremor; fala com gagueira; “respiração curta”; fala entrecortada ou ausente; tensão muscular excessiva; vermelhidão na face; medos exagerados; perfeccionismo; alteração do sono; medos irracionais; autoconsciência exagerada acerca de sua realidade; lembranças ruins; insônia; roer unhas e dores inespecíficas.  Três medos são praticamente constantes na ansiedade patológica, e geralmente nenhum se concretiza: Medo de enlouquecer, de cometer o autoextermínio ou de estar com alguma doença grave.

Como tratar a depressão e a ansiedade

Depois que você observou se esses sintomas, tanto da depressão ou da ansiedade, são uma constante em sua vida, você precisa de ajuda. Todos nós precisamos de ajuda. A gente até pode tentar sair de uma depressão sozinho, mas isso depende muito do nosso nível de força mental. Sozinho a gente pode correr, nadar, dançar, pintar, escrever, cantar, tocar um instrumento, lutar, fazer musculação, Yoga, meditação… Porque essas coisas fazem o nosso cérebro produzir oxitocina, serotonina, adrenalina… neurotransmissores fundamentais para que se sinta feliz, energizado e cheio de amor para ofertar. Mas quando a gente não consegue fazer nada disso, devemos sim, buscar ajuda.

Então a primeira coisa é procurar um clínico geral para fazer exames de sangue para ver como estão as taxas de vitaminas e hormônios e assim descartar uma causa física. A segunda coisa é procurar um psicólogo, somente ele poderá diagnosticar se a pessoa tem, ou não, um transtorno mental. Depois de diagnosticado, se for grave, o psicólogo encaminhará para um psiquiatra e somente este poderá prescrever remédios.

É preciso acima de tudo ter boa vontade para com o processo de cura interior. Eu disse interior e não indolor. Porque o processo é longo e doloroso. Mas só dói até não doer mais. A gente precisa compreender que fazer terapia é algo tão necessário e normal quando ir ao dentista.

Eu sou Clara Dawn, escritora, pesquisadora, psicopedagoga, suicidóloga, especialista em prevenção à drogadição, aos transtornos mentais e ao autoextermínio na infância e na adolescência. Hoje vou falar um pouquinho sobre ansiedade e depressão. Siga-me também no Facebook, Instagram e Youtube.

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Clara Dawn
Escritora, psicanalista, especialista em "Prevenção aos transtornos mentais e ao suicídio na adolescência" e autora de 7 livros publicados.