30 de março: Dia Mundial do Transtorno Bipolar

O transtorno bipolar, também conhecido como doença maníaco-depressiva, é um transtorno cerebral que causa mudanças incomuns no humor, na energia, nos níveis de atividade e na capacidade de realizar as tarefas do dia-a-dia.

O transtorno bipolar atinge cerca de 4% das pessoas em idade adulta. O número de pessoas diagnosticadas com este quadro pode chegar a 6 milhões de pessoas no Brasil.

Existem quatro tipos básicos de transtorno bipolar:

Transtorno Bipolar I – definido por episódios maníacos que duram pelo menos 7 dias, ou por sintomas maníacos que são tão graves que a pessoa precisa de cuidados hospitalares imediatos. Geralmente, episódios depressivos ocorrem também, tipicamente durando pelo menos 2 semanas. Episódios de depressão com características mistas (com depressão e sintomas maníacos ao mesmo tempo) também são possíveis.

Transtorno Bipolar II – definido por um padrão de episódios depressivos e episódios hipomaníacos, mas não os episódios maníacos desenvolvidos acima.

Desordem ciclotímica (também chamada ciclotimia) – definida por numerosos períodos de sintomas hipomaníacos, bem como inúmeros períodos de sintomas depressivos de pelo menos 2 anos (1 ano em crianças e adolescentes). No entanto, os sintomas não atendem aos requisitos diagnósticos para um episódio hipomaníaco e um episódio depressivo.

Outros Transtornos Bipolares e Relacionados Especificados e Não Especificados – definidos por sintomas de transtorno bipolar que não correspondem às três categorias listadas acima.

Principais sintomas

A mania bipolar e hipomania bipolar provocam sentimentos de euforia que são muito desproporcionais em relação a qualquer evento positivo. Os principais sintomas incluem:

1. Mania Bipolar

O episódio maníaco apresenta sintomas que incluem:

  • Euforia excessiva;
  • Autoestima inflada ou mania de grandeza;
  • Falar excessivamente;
  • Pensamento acelerado, com fuga de ideias;
  • Muita distração;
  • Maior agitação ou energia para realizar atividades;
  • Perda do controle sobre suas atitudes;
  • Envolvimento em atividades arriscadas e que normalmente exigem cautela, como investimentos financeiros insensatos, fazer compras desenfreadas ou apetite sexual muito aumentado, por exemplo;
  • Pode haver irritabilidade ou agressividade;
  • Pode haver delírios ou alucinações.

Para o evento ser caracterizado como mania, é necessário haver pelo menos 3 sintomas, que devem durar pelo menos 4 dias e persistir a maior parte do dia, ou nos casos em que são tão graves a ponto de necessitar de internação hospitalar.

Estes sintomas são tão intensos que costumam atrapalhar as relações sociais e profissionais da pessoa com a doença, sendo considerada uma emergência médica e social, que deve ser tratada o mais breve possível.

2. Hipomania bipolar 

Os sinais e sintomas de um episódio de hipomania são semelhantes aos da mania, no entanto, são mais leves. Os principais incluem:

  • Euforia ou humor elevado;
  • Maior criatividade;
  • Redução da necessidade de sono, já estando descansado após dormir cerca de 3 horas, por exemplo;
  • Falar mais que o normal ou tagarelar;
  • Pensamento acelerado;
  • Fácil distração;
  • Agitação ou aumento da energia para realizar atividades;
  • Realizar facilmente atividades que exigiriam maior cautela, como compras desenfreadas, investimentos financeiros arriscados e aumento do apetite sexual.

Os sintomas de hipomania não costumam provocar prejuízos às relações sociais e profissionais, e também não causam sintomas como delírios ou alucinações, além de costumarem durar pouco tempo, cerca de 1 semana.

Além disso, eles não são graves o suficiente para necessitar de internação, e em alguns casos, podem até passar despercebidos. Nesses casos, muitos pacientes acabam sendo tratados como tendo apenas depressão, já que a alternância de humor pode não ser detectada. 

Como confirmar

É importante, antes de qualquer outra coisa, ir ao clínico geral para que ele faça avaliações e exames que possam afastar doenças físicas ou situações que provocam sintomas parecidos, como desregulação da tireoide, efeitos colaterais de medicamentos, como corticoides, por exemplo.

O episódio de mania ou de hipomania é identificado pelo psicoterapeuta que ao avaliar os sintomas relatados pelo paciente e/ou por pessoas próximas, o encaminhará para o psiquiatra. Este, após avaliação, indicará as possiblidades de tratamento. O psiquiatra também deve avaliar se os sintomas não são efeitos colaterais de medicamentos, ou do uso de drogas ilícitas, bem como de outras doenças psiquiátricas, como esquizofrenia ou transtornos de personalidade, por exemplo. 

4 dicas de tratamento

1 – Medicação – O tratamento do transtorno bipolar é orientado pelo psiquiatra, feito com medicamentos que atuam estabilizando o humor e em alguns casos, antipsicóticos, para que a pessoa saia da crise.

2 – Psicoterapia – A psicoterapia feita pelo psicólogo é necessária para ajudar o paciente e a família a lidar com as alterações do humor. 

3 – Prevenção – A prevenção das crises deve ser realizada constantemente com uma alimentação saudável, livre de açúcar, álcool, gordura, cafeína e embutidos; a pratica de atividades físicas é indispensável, bem como a prática de atividades artísticas, esportivas, meditação, lazer e entretenimento. 

4 – Grupo de apoio – É super indicado que a pessoa tenha a consciência de que necessita criar o seu grupo de apoio: o psicoterapeuta, o psiquiatra, pessoas em quem confia e grupos de pares, ou seja, de pessoas que também convivem com o mesmo diagnóstico. Atualmente as redes sociais oferecem grupos virtuais de pessoa com transtornos bipolar. Eles são muito importantes para o amparo e compartilhamento de experiências. 

OBS. Este artigo é apenas para informação. Não substitui a visita profissional e tampouco tem a intenção de diagnosticar e/ou oferecer soluções. 

Da Redação de IPAM – Instituto de Pesquisas Arthur Miranda