segunda-feira, 25 de julho de 2011

PaulMcCartney está lá em casa

Ah, Paul, preciso confessar e, isso,faço-o publicamente: adoro seu riso acriançado, seu jeito acalentado de se espalhar pelo sofá pensando que é parte da estamparia. Adoro esse seu talentoincorrigível de deixar objetos pessoais pelos cantos da casa.
           
É bem verdade que coisas, assim,deslocadas lar adentro e chão afora, me aborrecem. Consideravelmente, eu diria! Mas todo aborrecimento se dissipa quando ouço a sua voz num tom 'allegro,' vezes moderado, vezes sustenido...
           
Pelo menos foi o que eu pensei no primeiro dia em que você chegou a minha casa. Ora, mas tão logo você fez seu prelúdio, reproduzindo os sons agitados que vinham da rua, como que antecedendo o abrir das cortinas de um grande show, precavi o meu espírito com o que estava prestes a se tornar permanente.
        
Não. Eu não vou, a partir de agora, escrever dezenas de crônicas sobre Paul McCartney, só para depois transformá-las em um livro com a intenção de explorar a imagem do distinto que ousou modificar a minha rotina. Ah, eu não vou mesmo!
           
Logo eu, metódica como sou: amante da ordem, do silêncio e da solidão, me encontro apaixonada por McCartney, com toda a sua pândega anti-britânica. Paradoxal, não?
           
Por Cristo! Paul McCartney, dia e noite com aquela entonação justaposta, ora evocando uma sequência  quase alucinante as ondas sonoras, ora regurgitando uma sintaxe instável ao fonema. Dezenas de decibéis a perturbar aconcentração dos meus traços... Minha nossa, será que eu aguento?
           
Aguento! Quando ele me olha com seus olhos vibrantes, inclinando a cabeça para a esquerda e depois levementeinclina-a para a direita e ergue uma sobrancelha após a outra... Ai, ai, ai...!Eu adoro!
           
E, assim, me deixo levar pelo entorpecimento que há naquele ritual que impõe indulgente censura à enfadonha necessidade que minha carne tem pelo sossego. Por fim, acabo esquecendo essa mania insistente que Paul McCartney tem de latir correndo atrás do próprio rabo e que, por mais que eu, hoje, buscasse no acervo da memória algo que valesse apena escrever, seu latido contumaz foi a única coisa queveio à cabeça para inserir neste texto.
Pensando bem, que me perdoe o indefectível menino de Liverpool, mas o meu cachorro PaulMcCartney da Silva tem uma guitarra (inquebrável) na garganta e não há nenhuma corda que não lhe seja conivente.


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